segunda-feira, 31 de março de 2014

Dois aspectos fundamentais na formação do leitor-escritor




              Quando falamos em formar leitores e preparar alunos para a escrita competente, devemos ter dois aspectos fundamentais como norteadores de nossa prática educativa.  
              O primeiro deles está relacionado ao fato de que dificilmente conseguimos escrever um bom texto sobre algo que desconhecemos.  Se não fosse professora, pedagoga, se desconhecesse as teorias educacionais e o ofício de ensinar, jamais estaria escrevendo nesse blog. Escrevemos sobre o que temos base e conhecimento. Portanto, as escritas espontâneas, especialmente na fase da alfabetização (1º e 2º anos) surgem do cotidiano e da realidade das crianças. Posteriormente, os assuntos e temas abordados nos textos precisam ser antes estudados, pesquisados, discutidos, aprofundados. Houve uma época em que os professores pediam aos alunos uma redação, algo genérico, sem definição do estilo a ser seguido; em algumas ocasiões determinava-se o tema a ser desenvolvido, que não raramente era estranho ou destituído de significado para os alunos. Essas redações acabavam sendo lidas apenas pelo professor, que corrigia a ortografia, colocava a pontuação necessária usando caneta vermelha, riscava o que não estava adequado. A reescrita não era feita, tendo o texto apenas a função de mostrar o que aluno aprendera (ou não) sobre o uso formal da Língua Portuguesa.  O educador que desenvolve sua prática e prepara suas aulas abordando a diversidade de textos que circulam na sociedade jamais poderá solicitar aos alunos uma redação “genérica”, sem estudos e leituras prévias; caso exija a escrita sobre um tema desconhecido, deverá conduzir pesquisas e estudos antes, além de definir qual o objetivo do texto e quem serão os leitores.
            Nesse contexto aparece o segundo aspecto fundamental à formação de alunos leitores e escritores: uma boa aula de Língua Portuguesa sempre contempla quatro passos – ouvir, falar, ler e escrever. Esses passos não necessitam seguir uma ordem pré-estabelecida, mas cada um possibilita o desenvolvimento de habilidades e competências necessárias ao aprendizado. Ao falar, a criança exercita sua oralidade, expõe o que pensa, pergunta, interage, comunica suas ideias e organiza o pensamento. Ao ouvir, aprende com os outros, conhece histórias, toma contato com diferentes pontos de vista e opiniões, exercita a escuta do outro. Ao ler, obtém novas informações, amplia seu vocabulário, identifica as diferenças entre os textos, estabelece relações entre diferentes tipos de leitura, entra em contato com os saberes historicamente acumulados pela humanidade. Finalmente, na escrita, o momento de sistematizar seus conhecimentos, organizar as ideias para expressá-las através da produção textual, que não é um fim em si, mas possibilidade de novas aprendizagens. Para escrever um livro, o escritor reescreve muitas vezes, acrescenta ou exclui trechos, revisa, melhora, aperfeiçoa. Os textos produzidos em aula também necessitam ser trabalhados, reescritos, pois é através desse processo que se aprende. Aprendemos a escrever escrevendo.


quarta-feira, 26 de março de 2014

Histórias de assombração e lendas urbanas



             A “Loira do Banheiro”, os zumbis, o Chupa- Cabra... Nossos alunos amam filmes de terror e são fascinados por histórias assustadoras, que espantam, que fazem arrepiar os cabelos! Além da Mula-sem-cabeça, da Cuca e do famoso Lobisomem, existem histórias locais, características de cada região ou cidade. Aqui no Sul tem o tal de “Gritador”, um fantasma ou espírito que fica no meio do mato, e se você grita, ele responde, cada vez mais alto, até que quando você percebe, a tal entidade está bem pertinho, querendo te pegar! O medo sempre provocou a imaginação dos homens, aguçando a sensibilidade e a criatividade dos mesmos, desde o início dos tempos até hoje. A escola precisa aproveitar essas histórias, não só em agosto, que é conhecido como “Mês do Cachorro-Louco”, mas sempre, incentivando a pesquisa, leitura e escrita das lendas, mitos e personagens assustadores que habitam nossas mentes.


sexta-feira, 21 de março de 2014

Notícias





           As notícias são textos que têm como objetivo informar, de forma objetiva e precisa, acontecimentos, fatos e ocorrências de interesse do público em geral. Estão presentes em formato oral, em telejornais, ou impressas nos jornais e internet. Além da objetividade, costuma-se dizer que a notícia deve responder a seis questões fundamentais: o que, quando, onde, como, com quem e por quê.
              Há escolas que desenvolvem projetos de leitura e escrita baseados na criação de um jornal. Muitos professores fazem a leitura diária de notícias para seus alunos, ou ainda organizam um espaço em sala de aula para socializar esse tipo de texto (normalmente denominado de Jornal Mural). Esse tipo de leitura traz para as aulas assuntos do cotidiano e amplia os conhecimentos gerais dos leitores. No entanto, é possível incluir práticas de escrita de notícias no cotidiano escolar, como forma de fazer circular a informação e divulgar problemas da escola e da comunidade, bem como seus aspectos positivos.
              O trabalho com jornais deve iniciar a partir da leitura de exemplares que circulam no município. É impressionante como muitos alunos desconhecem esse tipo de material. Durante a exploração do mesmo, o professor aproveita para organizar situações que promovam a reflexão do que é notícia e o que não é, visto que nos jornais há uma variedade de anúncios, propagandas, crônicas e artigos de opinião. Nesse sentido, é importante que os alunos percebam que a notícia relata um acontecimento, um fato, mas de forma imparcial e objetiva (ou tenta fazer isso, pois o leitor mais experiente consegue ler nas entrelinhas!).
               Independente de organizar um jornal da escola ou da turma, a escrita de notícias é uma oportunidade de aprofundar os conhecimentos dos alunos abordando fatos da realidade na qual estão inseridos. Primeiramente, estudam-se as características do texto jornalístico, sempre deixando clara a sua finalidade, além de definir quem será o público leitor. Podemos fazer um levantamento de problemas enfrentados na escola e na comunidade, registrar os conflitos constatados através de fotos, realizar entrevistas, fazer pesquisas de opinião, enfim, deixar que o aluno seja o protagonista do trabalho. A título de exemplo, em minha escola constato diariamente assuntos e acontecimentos que gerariam notícias: desenhos que os alunos fazem nas classes, geralmente fazendo apologia às drogas; descumprimento das normas da escola; qualidade da merenda escolar; o comportamento dos pedestres descuidados em frente à escola; o acúmulo de lixo no pátio interno e em frente ao prédio escolar; casos de furtos frequentes de material emprestado pela direção...Cada realidade é singular e fonte de muita aprendizagem significativa.
          Depois de observar, pesquisar e levantar as informações e dados, chegamos ao momento da escrita. O professor precisa definir com a turma de que forma a notícia será divulgada. Como a escola pública enfrenta um problema quase que geral de falta de recursos financeiros, escrever e imprimir um jornal em formato tradicional, dependendo da quantidade de exemplares, torna-se inviável. Uma alternativa seria distribuir cópias das notícias escritas pela turma para outros professores, que utilizariam em suas aulas, ou ainda, organizar um mural em espaço de uso coletivo, ao qual todos tenham acesso e possam ler os textos. Nas escolas que contam com laboratório de informática, o jornal pode ser transformado em blog, um meio econômico e que facilita o acesso ao conteúdo produzido pelos alunos.
Definida a forma de divulgação das notícias, agora resta escrevê-las: de forma individual, em duplas, coletivamente, não importa. O essencial é saber sobre o que escrever, para quem escrever, atentar para a clareza do texto, revisar, reescrever, produzir conhecimento e fazer circular a informação.

sábado, 15 de março de 2014

Leitura e escrita de sinopses




            A sinopse é um texto resumido de uma história: há sinopses de filmes e de livros. No entanto, não chega a ser um resumo, pois seu objetivo não é dar conta de todo o enredo ou trama, mas sim de informar as pessoas os pontos principais de uma história e os personagens que dela participam. Lendo uma sinopse temos uma ideia do conteúdo de determinado livro ou filme (e se gostaríamos de ler ou assistir aos mesmos). Nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental os professores costumam assistir com seus alunos diversos filmes ao longo do ano, e justamente nessas ocasiões podem aproveitar para trabalhar a leitura, compreensão e escrita de sinopses. Veja o exemplo a seguir:

SINOPSE DO FILME “ENROLADOS”

          Era uma vez em um reino não tão distante assim, uma menina dos cabelos longos e loiros que tinha por volta de dezoito anos de idade e o sonho de conhecer o mundo além de seus olhos. E quem consegue impedir uma adolescente de realizar suas vontades? Isso até parece um história comum, se esta menina não tivesse sido sequestrada quando ainda era um bebê por uma bruxa malvada em busca da juventude eterna e a manteve presa em uma torre no lugar mais escondido deste reino, onde cavalos comandam exércitos e camaleões são seus melhores e mais fiéis amigos. E o bandido charmoso de coração nobre, acaba virando o príncipe encantado que cede aos encantos de tão bela princesa e juntos se aventuram em busca da verdade, do amor e de reencontrar sua família, mas no seu caminho muitos perigos irão encontrar até que seus destinos possam realizar. No melhor estilo conto de fadas esse filme traz uma versão bastante divertida da história de Rapunzel e suas famosas tranças. Sensível, delicado e com boas e engraçadas cenas este filme te conduz pela magia do universo feminino através desta história que pode ser antiga, mas com uma boa pitada de modernidade prende a sua atenção do começo ao fim do filme. Meninos são bem vindos!
Fonte: Site Adoro Cinema

             Há várias formas de trabalhar com sinopses: lendo-as antes de assistir ao filme e identificando que elementos da história estão expressos, como são apresentados os personagens, se há revelação do desfecho da trama. Depois de assistir, questionar o que aconteceu na história e que não estava na sinopse. O professor pode ainda levar várias sinopses de filmes diferentes, as crianças leem e escolhem qual filme desejam assistir. Finalmente, outra atividade começa por primeiramente assistir ao filme e depois escrever a sinopse da história, de forma individual, em duplas ou coletivamente.
            Aproveitando a “deixa” das sinopses, os filmes assistidos em sala de aula são materiais excelentes para trabalhar a leitura e a produção textual. Recentemente, grandes sucessos como “Shrek”, “Deu a louca na Chapeuzinho” e o já mencionado “Enrolados” constituíram releituras dos contos de fadas clássicos, em versões divertidas, inteligentes e bem-humoradas. Através dos filmes o professor pode utilizar a leitura dos clássicos infantis e organizar situações que promovam situações de leitura e escrita contextualizadas, aproveitando o mundo dos personagens encantados e histórias fantásticas que as crianças tanto gostam.


quarta-feira, 12 de março de 2014

Leitura e escrita de fichas e textos informativos sobre animais





          As crianças em geral gostam de falar, estudar e pesquisar sobre animais. Do bichinho doméstico, passando pelos ameaçados de extinção aos exóticos, os animais despertam interesse e curiosidade nos alunos. Anteriormente mencionei a relação que o professor pode fazer entre poemas que falam de bichos e as fichas informativas, aliando os dois tipos de textos e colocando em prática a intertextualidade. Através dessas fichas, os alunos podem escrever textos informativos; basta selecionar sobre quais animais as crianças gostariam de aprender mais, realizar pesquisas em livros e na internet. Há um vasto material sobre o assunto. Depois, tendo como base a leitura das fichas, constrói-se o texto informativo utilizando os dados informados. Por exemplo, o aluno decide escrever sobre o leão e utiliza a ficha do bicho para construir seu texto:
Nome: leão
Habitat: savana africana
Alimentação: carnívoro, alimenta-se de antílopes, gnus, zebras, javalis e outros mamíferos de pequeno porte.
Cor: amarelo claro a marrom.
            Comprimento:  entre 2,5 m e 3,0 m (macho) e  entre 2,3 m e 2,7 (fêmea)
            Peso:  entre 150 e 230 kg para machos e entre 120 a 170 kg para fêmeas.
            Altura: aproximadamente  60 a 90 cm
Fonte: Site suapesquisa.com.br
 O texto pode ser construído assim:
         “O leão vive na savana africana. É um animal carnívoro e costuma caçar antílopes, gnus, javalis e zebras. Tem a cor amarela ou marrom. O leão macho chega a medir três metros de comprimento e 230 kg de peso. Mede aproximadamente 90 centímetros de altura.”
        Dentro da mesma proposta, a atividade pode ser realizada de forma inversa: partindo do texto informativo, o aluno organiza a ficha informativa sobre o animal:
“Leia o texto Lobo Guará e depois organize uma ficha informativa sobre o animal:”
Lobo Guará
          Canídeo cujo habitat é a América do Sul, exclusivamente em área de cerrado, visualmente aproxima-se ao aspecto de uma raposa. É uma espécie de hábitos noturnos; come aves, cutias, répteis, cana-de-açúcar, peixes e até insetos.
          Tem a média de vida de 13 anos, são selvagens, mas não são corajosos a ponto de avançar em qualquer ambiente ou situação. Desde uma portaria publicada pelo IBAMA em 1989, o lobo guará está na lista das espécies brasileiras ameaçadas de extinção.
         A caça predatória e a diminuição do cerrado são as causas principais da extinção. O lobo guará gera seus filhotes somente no mês de junho. Após o nascimento, a fêmea faz vigília da toca, enquanto que o macho busca alimentos.
           Além do Brasil, o lobo guará pode ser encontrado no Paraguai, Bolívia e Argentina. No Brasil são encontrados na Chapada dos Veadeiros, Serra da Canastra, Parque das Emas, Serra do Cipó, Chapada dos Guimarães, Ilha Grande, Reserva Ecológica do Roncador e Serra da Bocaína. Possui 1,20 metros de comprimento, pelo castanho claro avermelhado com manchas marrom, peso de 25 kg aproximadamente, e cerca de 70 cm de altura.
Fonte: Site InfoEscola

          Ao iniciar esse tipo de metodologia, o professor poderá, nas primeiras atividades, fornecer a ficha iniciada para que os alunos completem utilizando as informações expressas no texto. No entanto, o ideal é que cada criança, no decorrer do processo, seja capaz de identificar que elementos podem compor as fichas informativas, escrevendo com autonomia.