Quando falamos em formar leitores
e preparar alunos para a escrita competente, devemos ter dois aspectos
fundamentais como norteadores de nossa prática educativa.
O primeiro deles está relacionado
ao fato de que dificilmente conseguimos escrever um bom texto sobre algo que
desconhecemos. Se não fosse professora,
pedagoga, se desconhecesse as teorias educacionais e o ofício de ensinar, jamais
estaria escrevendo nesse blog. Escrevemos sobre o que temos base e
conhecimento. Portanto, as escritas espontâneas, especialmente na fase da
alfabetização (1º e 2º anos) surgem do cotidiano e da realidade das crianças.
Posteriormente, os assuntos e temas abordados nos textos precisam ser antes
estudados, pesquisados, discutidos, aprofundados. Houve uma época em que os
professores pediam aos alunos uma redação, algo genérico, sem definição do
estilo a ser seguido; em algumas ocasiões determinava-se o tema a ser
desenvolvido, que não raramente era estranho ou destituído de significado para
os alunos. Essas redações acabavam sendo lidas apenas pelo professor, que
corrigia a ortografia, colocava a pontuação necessária usando caneta vermelha,
riscava o que não estava adequado. A reescrita não era feita, tendo o texto
apenas a função de mostrar o que aluno aprendera (ou não) sobre o uso formal da
Língua Portuguesa. O educador que
desenvolve sua prática e prepara suas aulas abordando a diversidade de textos
que circulam na sociedade jamais poderá solicitar aos alunos uma redação
“genérica”, sem estudos e leituras prévias; caso exija a escrita sobre um tema
desconhecido, deverá conduzir pesquisas e estudos antes, além de definir qual o
objetivo do texto e quem serão os leitores.
Nesse contexto aparece o segundo
aspecto fundamental à formação de alunos leitores e escritores: uma boa aula de
Língua Portuguesa sempre contempla quatro passos – ouvir, falar, ler e
escrever. Esses passos não necessitam seguir uma ordem pré-estabelecida, mas
cada um possibilita o desenvolvimento de habilidades e competências necessárias
ao aprendizado. Ao falar, a criança exercita sua oralidade, expõe o que pensa,
pergunta, interage, comunica suas ideias e organiza o pensamento. Ao ouvir,
aprende com os outros, conhece histórias, toma contato com diferentes pontos de
vista e opiniões, exercita a escuta do outro. Ao ler, obtém novas informações,
amplia seu vocabulário, identifica as diferenças entre os textos, estabelece
relações entre diferentes tipos de leitura, entra em contato com os saberes
historicamente acumulados pela humanidade. Finalmente, na escrita, o momento de
sistematizar seus conhecimentos, organizar as ideias para expressá-las através
da produção textual, que não é um fim em si, mas possibilidade de novas
aprendizagens. Para escrever um livro, o escritor reescreve muitas vezes,
acrescenta ou exclui trechos, revisa, melhora, aperfeiçoa. Os textos produzidos
em aula também necessitam ser trabalhados, reescritos, pois é através desse
processo que se aprende. Aprendemos a escrever escrevendo.