Um aspecto peculiar da poesia e
que necessita especial atenção é o uso da linguagem figurada. A linguagem
figurada é aquela pela qual uma palavra exprime uma ideia recorrendo a outros
termos, apelando assim a uma semelhança, seja esta real ou imaginária. Nas
palavras do grande poeta Mario Quintana:
Rua dos Cataventos II
Dorme, ruazinha… É tudo escuro…
E os meus passos, quem é que pode ouvi-los?
Dorme o teu sono sossegado e puro,
Com teus lampiões, com teus jardins tranquilos
E os meus passos, quem é que pode ouvi-los?
Dorme o teu sono sossegado e puro,
Com teus lampiões, com teus jardins tranquilos
Dorme… Não há ladrões, eu te asseguro…
Nem guardas para acaso persegui-los…
Na noite alta, como sobre um muro,
As estrelinhas cantam como grilos…
Nem guardas para acaso persegui-los…
Na noite alta, como sobre um muro,
As estrelinhas cantam como grilos…
O vento está dormindo na calçada,
O vento enovelou-se como um cão…
Dorme, ruazinha… Não há nada…
O vento enovelou-se como um cão…
Dorme, ruazinha… Não há nada…
Só os meus passos… Mas tão leves são
Que até parecem, pela madrugada,
Os da minha futura assombração…
Que até parecem, pela madrugada,
Os da minha futura assombração…
São exemplos de linguagem
figurada: “dorme ruazinha”; “as estrelinhas cantam como grilos”; “o vento está
dormindo”. Ler e compreender esses recursos utilizados pelos poetas são
habilidades que precisam ser desenvolvidas em nossos alunos.
O aspecto dos poemas como
instrumentos de crítica social também deve ser considerado e abordado nas
aulas. A poesia a seguir ilustra uma situação presente em qualquer cidade do
país, de forma crua, escancarada, que estimula a reflexão:
O bicho
Vi ontem um bicho
Na imundice do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem
Manuel Bandeira
Através desse tipo de leitura o aluno poderá compreender que a palavra
tem força, que a poesia exprime não só o amor, a beleza, a vida, mas também a
exclusão, a pobreza, a injustiça.
Outro aspecto presente no aprofundamento do estudo das poesias é o
vocabulário empregado pelos autores. Na poesia reproduzida anteriormente, há
palavras não tão comuns: “voracidade”, “detritos”, “imundície”. Aqui o
professor tem um “gancho” para introduzir o conceito de palavras sinônimas e
abusar do uso do dicionário.
Outra possibilidade a ser considerada é a de pesquisar, ler e aprender
sobre as pessoas que escrevem as poesias, conhecendo suas biografias. A leitura
da poesia de determinado poeta relacionada ao estudo da sua vida: cultura ao
alcance dos pequenos alunos. Veja um exemplo a seguir:
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VINÍCIUS DE MORAES
Vinícius de Moraes nasceu em 19 de Outubro de 1913, na cidade do Rio
de Janeiro. Era filho de Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, funcionário da
prefeitura, poeta, violonista amador, e de Lídia Cruz de Moraes, pianista
também amadora.
Viveu toda a sua
infância no Rio, tendo nascido no bairro da Gávea, aos três anos se mudou
para Botafogo para morar com os avós e estudar na Escola Primaria Afrânio
Peixoto. Foi também na sua infância que escreveu seus primeiros versos.
Nos anos seguintes
publicou ainda muitos poemas e ficou conhecido como um dos poetas brasileiros
que mais conseguiu traduzir em palavras o sentimento do amor.Vinícius de
Moraes faleceu no Rio de Janeiro, no dia 09 de Setembro de 1980.
Fonte: site suapesquisa.com.br
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“Após ler a biografia de Vinícius de
Moraes, complete o quadro a seguir com as informações:”
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Cidade em que nasceu
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Dia em que nasceu
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O que seu pai fazia
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O que sua mãe fazia
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Por que motivo ficou conhecido
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Data em que morreu
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A atividade acima é destinada a
leitura e localização de informações básicas no texto, mas nada impede que os
alunos pesquisem e produzam biografias breves sobre os autores lidos.
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