Lendo e produzindo cartazes
No ano de 2013, a vencedora do Prêmio
Victor Civita Educador Nota 10, professora Elisangela Carolina Luciano, da
escola EMEF Adirce Cenedeze Caveananah (Mogi Guaçu - SP), desenvolveu um
projeto simples e levou uma das premiações mais disputadas no país. O que ela fez?
Realizou um trabalho extremamente significativo para alfabetizar seus vinte e
três alunos. Organizou um passeio tendo como objetivo que as crianças
observassem as escritas que apareciam na ruas, nas placas, nas lojas. Chegando
até uma quitanda, viram pequenos cartazes (placas) que informavam os preços dos
produtos. As crianças elaboraram listas nas quais constavam legumes, verduras e
frutas vendidos no estabelecimento. De volta à escola, o desafio era pesquisar
o valor nutricional de cada alimento e produzir uma frase sobre ele. Resultado:
a turma produziu placas com informações relevantes, fruto da pesquisa e
construção coletiva, enriquecidas com imagens coloridas e atraentes. Essas
placas foram levadas até a quitanda, colocadas nas bancas e, obviamente, lidas
pelos clientes do comércio. O projeto resultou em aprendizagem dos alunos, que estavam
escrevendo algo que seria lido. O trabalho dessa professora foi selecionado não
só porque através do projeto a turma se alfabetizou, mas porque nesse processo
ficou evidenciada a intencionalidade da escrita (informar as pessoas a respeito
do preço dos vegetais e dar ainda informações adicionais sobre o valor
nutritivo deles).
As escolas, principalmente públicas,
estão inseridas num contexto rico e diversificado, sujeito a conflitos e
situações que precisam ser explorados.
Inevitavelmente, em muitas ocasiões, preferimos ignorar os conflitos,
evitando problematizações e perdendo a chance de efetivamente considerar a
realidade do educando. Fechamos os olhos e permanecemos no discurso bonito, que
não repercute em nossa prática.
Por exemplo, podemos notar nas escolas
questões relativas à depredação dos prédios, classes riscadas, paredes
pichadas, lixo acumulado no pátio, banheiros sujos (problemas causados, muitas
vezes, pelos próprios alunos). O professor atento enxerga nessa realidade uma
possibilidade de problematização, de conscientização e de construção do
conhecimento. Isso pode ser feito com crianças de seis, sete anos de idade.
Sabemos que as gerações estão chegando à escola cada vez mais espertas, ativas
e desafiadoras. Por que não discutir os problemas que a escola enfrenta,
comumente provocados pelos próprios alunos, e elaborar, já na alfabetização,
cartazes que sirvam de alerta, de aviso, mas, sobretudo, que provoquem a
reflexão e superação de conflitos?
Para tanto, faz-se necessária a
leitura e análise de cartazes que circulam na escola e no meio em que as
crianças vivem: campanhas do governo, como por exemplo, a de vacinação, são
amplamente divulgadas através de cartazes; festas do bairro, da cidade, também;
bazares, feiras e eventos utilizam igualmente esse recurso. As crianças
precisam compreender que o cartaz tem uma linguagem própria e que apesar de
simples, deve chamar a atenção do leitor. A Provinha Brasil, realizada pelos
alunos do 2º ano dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, geralmente traz questões
de leitura e compreensão de cartazes, ressaltando a importância e finalidade
desse tipo de texto.
Enfim, ler e produzir cartazes com
os alunos pode ser um meio de colocar em prática a tão desejada educação
crítica e problematizadora.
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