segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Lendo e produzindo cartazes



Lendo e produzindo cartazes

            No ano de 2013, a vencedora do Prêmio Victor Civita Educador Nota 10, professora Elisangela Carolina Luciano, da escola EMEF Adirce Cenedeze Caveananah (Mogi Guaçu - SP), desenvolveu um projeto simples e levou uma das premiações mais disputadas no país. O que ela fez? Realizou um trabalho extremamente significativo para alfabetizar seus vinte e três alunos. Organizou um passeio tendo como objetivo que as crianças observassem as escritas que apareciam na ruas, nas placas, nas lojas. Chegando até uma quitanda, viram pequenos cartazes (placas) que informavam os preços dos produtos. As crianças elaboraram listas nas quais constavam legumes, verduras e frutas vendidos no estabelecimento. De volta à escola, o desafio era pesquisar o valor nutricional de cada alimento e produzir uma frase sobre ele. Resultado: a turma produziu placas com informações relevantes, fruto da pesquisa e construção coletiva, enriquecidas com imagens coloridas e atraentes. Essas placas foram levadas até a quitanda, colocadas nas bancas e, obviamente, lidas pelos clientes do comércio. O projeto resultou em aprendizagem dos alunos, que estavam escrevendo algo que seria lido. O trabalho dessa professora foi selecionado não só porque através do projeto a turma se alfabetizou, mas porque nesse processo ficou evidenciada a intencionalidade da escrita (informar as pessoas a respeito do preço dos vegetais e dar ainda informações adicionais sobre o valor nutritivo deles).
          As escolas, principalmente públicas, estão inseridas num contexto rico e diversificado, sujeito a conflitos e situações que precisam ser explorados.  Inevitavelmente, em muitas ocasiões, preferimos ignorar os conflitos, evitando problematizações e perdendo a chance de efetivamente considerar a realidade do educando. Fechamos os olhos e permanecemos no discurso bonito, que não repercute em nossa prática.
          Por exemplo, podemos notar nas escolas questões relativas à depredação dos prédios, classes riscadas, paredes pichadas, lixo acumulado no pátio, banheiros sujos (problemas causados, muitas vezes, pelos próprios alunos). O professor atento enxerga nessa realidade uma possibilidade de problematização, de conscientização e de construção do conhecimento. Isso pode ser feito com crianças de seis, sete anos de idade. Sabemos que as gerações estão chegando à escola cada vez mais espertas, ativas e desafiadoras. Por que não discutir os problemas que a escola enfrenta, comumente provocados pelos próprios alunos, e elaborar, já na alfabetização, cartazes que sirvam de alerta, de aviso, mas, sobretudo, que provoquem a reflexão e superação de conflitos?
           Para tanto, faz-se necessária a leitura e análise de cartazes que circulam na escola e no meio em que as crianças vivem: campanhas do governo, como por exemplo, a de vacinação, são amplamente divulgadas através de cartazes; festas do bairro, da cidade, também; bazares, feiras e eventos utilizam igualmente esse recurso. As crianças precisam compreender que o cartaz tem uma linguagem própria e que apesar de simples, deve chamar a atenção do leitor. A Provinha Brasil, realizada pelos alunos do 2º ano dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, geralmente traz questões de leitura e compreensão de cartazes, ressaltando a importância e finalidade desse tipo de texto.
           Enfim, ler e produzir cartazes com os alunos pode ser um meio de colocar em prática a tão desejada educação crítica e problematizadora.

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