Cada texto tem uma finalidade. Cada
texto tem características próprias. É tarefa do professor consciente e
competente selecionar bons textos tendo em mente o que quer ensinar com eles.
Já no primeiro ano, os alunos devem identificar o título e o autor. Desse modo,
nessa fase da aprendizagem podemos salientar o uso dos textos “de memória”, que
são aqueles com os quais as crianças estão familiarizadas, que sabem “de cor”:
músicas folclóricas, parlendas, quadrinhas, cantigas de ninar. Mesmo que não
saibam ler, ao receber a cópia da música Boi da Cara Preta, por exemplo, os
alunos podem acompanhar a leitura da professora e ir, aos poucos, identificando
letras ou até palavras inteiras. Mais ainda: perceberão que entre as palavras
existem espaços, algo que não existe no discurso oral. A seguir, demonstrarei
alguns exemplos de atividades que derivam do uso da pequena música folclórica
mencionada:
BOI DA CARA
PRETA
BOI, BOI, BOI
BOI DA CARA
PRETA
PEGA ESSA
CRIANÇA
QUE TEM MEDO DE
CARETA
No início da alfabetização o ideal
é que os textos utilizados estejam em letras maiúsculas, de imprensa, mais
fáceis de ler e identificar. No caso de músicas folclóricas ou parlendas,
geralmente não há autor. O professor deve explicar o porquê disso (textos de
tradição oral nos quais não há como definir a autoria exata). Pois bem, o que
fazer com esta singela musiquinha?
- Circular
palavras faladas pela professora ou colocadas no quadro.
- Contar quantas
vezes a palavra destacada se repete na música.
- Contar quantas
letras tem a palavra destacada, quais são vogais e quais são consoantes.
- Identificar o
título.
- A partir de
palavras selecionadas, fazer listas de outras palavras com a mesma letra
inicial (boi-bola-boneca)
- Identificar
rimas.
- Elaborar
pequenas charadas que levam a análise das palavras: “qual palavra começa com M,
termina com O e tem quatro letras?”; “qual palavra tem 5 letras, começa com P e
termina com A?”; e assim por diante.
Como podemos perceber, são atividades
específicas de alfabetização partindo do texto trabalhado. Nesse tipo de texto,
quando aparecem rimas, devem ser amplamente exploradas. O aluno precisa
perceber porque as palavras rimam, comparando que terminam com as mesmas
letras. O poema a seguir, que as crianças conhecem em forma de música, é um
exemplo:
O PATO
LÁ VEM O PATO
PATA AQUI, PATA
ACOLÁ
LÁ VEM O PATO
PARA VER O QUE É
QUE HÁ
O PATO PATETA
PINTOU O CANECO
SURROU A GALINHA
BATEU NO MARRECO
PULOU DO POLEIRO
NO PÉ DO CAVALO
LEVOU UM COICE
CRIOU UM GALO
COMEU UM PEDAÇO
DE JENIPAPO
FICOU ENGASGADO
COM DOR NO PAPO
CAIU NO POÇO
QUEBROU A TIGELA
TANTAS FEZ O
MOÇO
QUE FOI PRA
PANELA
VINICIUS DE MORAES
Primeiramente, pedimos que
identifiquem o título e o autor. Podem circular ou pintar os mesmos. Depois, a
professora lê, enquanto os alunos acompanham com o dedo ou usando uma régua. Ao
concluir a leitura do texto todo, pede que pintem a palavra “acolá” (escrever
no quadro facilita). Pode questionar qual palavra está rimando com ela (no
caso, a palavra “há”). Essas duas palavras que rimam são pintadas, pelas
crianças, da mesma cor. Repetir esse processo com todas as rimas:
caneco-marreco; cavalo-galo; jenipapo-papo; poço-moço (ter o cuidado de
escolher cores diferentes em cada dupla). Escrever todas as duplas de palavras
no quadro e pedir que as crianças circulem as letras que se repetem. Esse tipo
de atividade proporciona a reflexão sobre a escrita. Os alunos aos poucos vão
percebendo que palavras com terminações iguais são as palavras que rimam. Veja
o exemplo:
TIGELA POÇO
PANELA MOÇO
CANECO CAVALO
MARRECO GALO
Outra atividade muito significativa que deriva das palavras retiradas de
poemas, músicas e parlendas é a que denomino “palavra-sílaba-letra”. No exemplo
do poema “O PATO” podemos destacar: pato – caneco – galinha – cavalo – galo –
tigela – panela. Organizamos uma tabela com desenhos dessas palavras, na qual
os alunos deverão escrever o “nome” dos desenhos, a quantidade de letras de
cada nome e quantas sílabas cada um tem. Se necessário, utilizar o alfabeto
móvel para formar as palavras antes de escrevê-las; as crianças podem ficar em
duplas, o que facilita a troca de informações. Esse é um exemplo específico de
exploração do texto na alfabetização. Veja a seguir:
(Inserir figuras)
|
PALAVRA
|
SÍLABAS
|
LETRAS
|
![]() |
CAVALO
|
3
|
6
|
![]() |
PATO
|
2
|
4
|
A mesma atividade, feita de forma isolada, não seria tão significativa.
Utilizando palavras aleatórias, não selecionadas de um poema ou texto lido,
constituiria apenas mais um “trabalhinho” a ser realizado pelas crianças, de
forma solta, sem contextualização.


Nenhum comentário:
Postar um comentário